“Caça às Bruxas”: governo Bolsonaro investiga servidores antifascistas
Por Valdo Santos - Jornalista
Repercute a notícia veiculada no programa “Conexão Progressista”, transmitido pela TVC Jornalismo e TV Jovens Cronistas, na sexta-feira, 24 de julho, publicada no Diário da Causa Operária (DCO), que mostra a reportagem do site conservador UOL, revelando a perseguição do Ministério da Justiça a servidores antifascistas.
Por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), o desgoverno Bolsonaro investigou e produziu um dossiê contra 579 servidores, que participaram das manifestações dos movimentos antifascistas, em junho deste ano.
Na lista de servidores investigados por esse setor, a maioria é de policiais do movimento que combate o fascismo e de alguns professores universitários. Conforme aponta a reportagem, esse órgão governamental vasculhou e registrou nomes, fotos e perfis de redes sociais dos investigados e produziu um dossiê intitulado “Ações de grupos Antifa e Policiais Antifascismo”.
A denúncia dessa perseguição repercutiu imediatamente no campo progressista, com as bancadas do PT, PSOL, PCdoB, PSB, PDT e Rede, na Câmara e no Senado Federal, manifestando-se contra essa ação autoritária promovida pelo desgoverno Bolsonaro. As agremiações de esquerda e centro-esquerda reafirmam a solidariedade aos servidores perseguidos pelo aparato estatal e repudiam o gravíssimo ataque à democracia brasileira.
“O uso do aparato Estatal para produção de dossiês antirrepublicanos – ferindo o ditame constitucional da presunção de inocência – configura verdadeira perseguição de adversários políticos, espionagem ilegal, além de ameaça. Ainda mais grave é o fato de que não é a primeira vez que isto acontece, uma vez que existem vastas evidências da instalação do ‘Gabinete do ódio’ no Palácio do Planalto”, alertam os partidos de oposição, em reportagem publicada no site do PT, neste sábado, 25.
O assunto também mereceu destaque no “Conexão Progressista”, transmitido pela TVC Jornalismo e TV Jovens Cronistas, na sexta-feira, 24, no YouTube. O jornalista Valdo Santos e o advogado e cronista Guilherme Azevedo comentaram sobre a perseguição desses servidores públicos, arquitetada por Jair Bolsonaro e pelo seu ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça. Em seu comentário, no início do programa, Santos relatou sua preocupação diante dessa prática de perseguição e ataque aos movimentos legítimos.
“É muito preocupante, porque o próprio presidente da República fez um pronunciamento e citou “marginais terroristas” ao se referir aos grupos antifascistas. Essa foi uma maneira de classificar e projetar uma possível investigação. E foi o que aconteceu: produziu um dossiê dos quase 600 participantes dos movimentos antifascistas. Será que está começando aquele famoso movimento de “caça às bruxas?”, questionou o jornalista da TVC.
O cronista da TV Jovens Cronistas, Guilherme Azevedo, por ser do campo jurídico, foi mais cauteloso ao emitir sua opinião. Argumentou que é difícil fazer uma previsão do que poderá acontecer. Afirmou que do ponto de vista estatístico, não vai além daquilo que já está acontecendo na prática: apenas registro de nomes e uma exposição pública para fins meramente intimidatório e sem grandes finalidades.
Já “do ponto de vista jurídico, não há muito o que fazer. Afinal de contas, vivemos num estado de direito, onde vigem princípios, como, por exemplo, a liberdade de expressão. Inclusive a liberdade de crença e de opinião, ou seja, a manifestação de opinião. Para começo de conversa, ser contra o presidente, no primeiro momento, não é crime e nem delito qualquer”, explicou Azevedo.
Na sequência, Azevedo enfatizou que “saindo do campo jurídico e indo para o campo ético ou moral, ser antifascista num mundo efetivo, real e não neste distópico em que a gente vive, não é nada contraditório e nada equivocado. Afinal de contas, o fascismo está fundamentado em poderes autoritários que inclusive são contra nossa lógica constitucional atual”, finalizou o advogado e cronista da TV Jovens Cronistas.
ASSISTA AO VÍDEO:
Fontes: TVC, TVJC, DCO, PT e UOL
Foto: reprodução da internet
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