Equador ‘sem governo’ pede socorro contra o coronavírus


Por Valdo Santos - Jornalista

O governo golpista de Lenín Moreno divulgou neste domingo, 12 de abril, a retirada de quase 800 corpos de indivíduos que morreram por coronavírus em suas casas, nos últimos dias, em Guayaquil, a segunda maior cidade do país. A pandemia provocou o maior colapso nos hospitais e funerárias do Equador. Os números oficiais registrados pelo poder público se contradizem, ainda mais quando são confrontados com esses novos casos de mortes nessa cidade portuária, anunciados pelo próprio governo equatoriano.

Quando consultado o ‘Mapa do Coronavírus’ no Google (em 13/4/2020, às 16h33), o número de mortes por Covid-19 era de 355, sendo 7.529 pessoas confirmadas com a doença. Entretanto, desde os primeiros casos constatados a partir de 29 de fevereiro, os números de mortos e contaminados pelo novo coronavírus não estão de acordo com o que vem acontecendo na país. 

Em entrevista na Rádio França Internacional, Jorge Wated, que comanda uma equipe criada pelo Poder Executivo de Guayaquil, com a finalidade de combater a crise provocada pelo coronavírus, disse que o número de vítimas chegou a quase 800 mortos. “A quantidade que coletamos, com a força-tarefa nas casas, excedeu 700 pessoas [mortas]” somente nestes últimos dias. Em seguida, Wated foi mais preciso e publicou no Twitter dele a quantidade exata de pessoas mortas. “O número de cadáveres recolhidos nas casas chegou a 771, sendo que outros 631 corpos foram contabilizados nos hospitais”, afirmou. 

Apesar do governo golpista e de extrema-direita do Equador ter adotado algumas medidas básicas logo no início da pandemia, em seguida ele recuou e liberou diversas atividades que provocaram grandes aglomerações públicas. Dessa maneira, a crise se espalhou por toda nação e os responsáveis não conseguiram conter a expansão rapidamente no país. Só na cidade de Guayaquil, onde há um dos maiores números de casos proporcionais, o cenário é de guerra e os sistemas de saúde e funerário entraram em colapso total.

Em relato bastante comovente, durante entrevista ao site Brasil 247, o jornalista equatoriano Andrés Relinche afirmou que a situação do país latino-americano é muito dramática frente a pandemia da covid-19. Afirmou que “estão perdendo cadáveres nos hospitais e que faltam testes massivos para saber a real quantidade de pessoas infectadas pelo vírus, o que mostra a subnotificação dos casos de coronavírus”. O jornalista denuncia também “o ‘mercado negro de informação’ nos hospitais, onde alguns funcionários estão omitindo informação para os familiares e amigos dos pacientes e cobrando taxas irregulares para liberar um corpo a fim de que seja reconhecido pelos parentes”.

Há muito tempo, o Equador está ‘sem governo’, ainda mais agora com toda essa crise provocada pela pandemia do coronavírus. O ditador Lenín Moreno não consegue liderar esta crise, porque permanece escondido e ‘governando’ por meio de sua conta no Twitter. O projeto neoliberal do ultradireitista faliu, pois o Equador está com uma dívida pública de US$ 65 milhões. O país é só mais um dos tantos exemplos de nações que adotaram o modelo fracassado do neoliberalismo mundial. 

ASSISTA AO VÍDEO:

Fontes: RFI e DCO
Foto: reprodução da internet

Inscreva-se no canal da TVC Jornalismo, no YouTube, assista, curta e compartilhe nossas transmissões ao vivo e vídeos gravados neste link: https://www.youtube.com/channel/UC4Beh93d2xVh6GY1fPSBVYA 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem leva a melhor no confronto de Inteligência Artificial?

DeepSeek ultrapassa ChatGPT

Inteligência Artificial Generativa pode ser utilizada para o bem ou para o mal